Rússia – Moscow #2

17 de outubro de 2016 por Keylla Victor
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Este é o segundo post sobre nossa viagem pela Rússia. No primeiro falei sobre nossa visita ao Kremlin.

Outra parada obrigatória para qualquer viajante que passa por Moscou, são as estações de metro da cidade, elas são uma atração à parte, verdadeiras galerias de arte, com esculturas, murais, bustos, estátuas etc. Fica difícil escolher a mais linda, pois cada uma delas tem um tema e uma decoração diferente.

As estações do Metrô são sempre muito profundas com grandes escadas rolantes, porém sem acessibildade para deficientes.
As estações do metro são sempre muito profundas com grandes escadas rolantes, porém sem acessibilidade para deficientes.

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O Metrô de Moscou teve sua construção iniciada em 1931, para melhorar o transporte público da cidade e como fator ideológico de propaganda comunista, tanto que aquelas construídas originalmente e no auge do regime soviético, têm vários motivos relacionados à revolução russa.

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A idéia era provar para o povo que o luxo e a riqueza russa não era mais prerrogativas únicas dos Czares e que agora pertenciam ao povo.

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Os trens começaram a circular em 15 de maio de 1935, quando foram inauguradas  suas primeiras 13 estações. Hoje já são 174 e continuam expandindo seus mais de 300 kms de linhas, tornando possível cruzar a cidade em 50 minutos, por cerca de US$1,00.

Mosaico com a foto de Lenin, lider comunista da URSS.
Mosaico com a foto de Lenin, líder comunista da URSS.

Para o turista um feito ainda muito difícil, pois as todas as placas e os nomes das estações estão escritas em cirílico.

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Durante o city tour que fizemos pela cidade, (com carro, motorista e guia particular) pudemos visitar a cidade de uma forma mais ampla, percebemos uma cidade muito limpa, organizada e bem estruturada. Os prédios antigos vem sendo restaurados e um centro financeiro moderno e arrojado sendo construído em outra parte da cidade.

Nossa guia desta vez foi a Maria Basova, uma russa muito brasileira rsrs, nem sotaque ela tem, além de esbanjar conhecimento e simpatia, é claro. A Maria por ser uma pessoa muito religiosa, conseguiu transmitir muito bem os preceitos da religião Ortodoxa durante nosso passeio.

Nossa guia Maria Basova.
Nossa guia Maria Basova.
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O Kremlin visto por fora.

Os parques me chamaram a atenção, pois estão por toda a parte, com seus jardins imensos e grandes prédios que hospedam exposições de artistas locais e estrangeiros além dos espetáculos de teatro e dança.

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Os bustos e estatuas de líderes comunistas da antiga União Soviética.
Os bustos e estátuas de líderes comunistas da antiga União Soviética.
Lenin, o primeiro lider comunista da Russia.
Lenin, o primeiro líder comunista da Rússia.

A vista da Kremlin do outro lado do Rio Moscou é de tirar o fôlego. Esperamos que as fotos a retratem bem.

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A Ponte dos Namorados cheia de cadeados também fez parte do nosso tour.

 

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Além da visita a Universidade Estatal de Moscou, que fica em um dos 7 Arranhacéus de Stalin, edifícios altíssimos, (para a época) com grandes torres, espelho d’agua e esculturas pelos jardins. Observem na foto a estrela símbolo do Partido Comunista Soviético no ponto mais alto da torre.

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Universidade estatal de Moscou.
Universidade Estatal de Moscou.

A Catedral de Cristo Salvador (em russo Хра́м Христа́ Спаси́теля) é um templo da Igreja Ortodoxa Russa situado na cidade de Moscou. Destacam-se as suas cinco cúpulas douradas.

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Esta catedral disputa com a Catedral de São Basílio o título de “principal da cidade de Moscou”, pois as principais solenidades da Igreja Ortodoxa Russa, são ali celebradas.

A catedral Cristo Salvador é considerada um ícone do renascimento cristão ortodoxo na Rússia. Ela é um marco na cidade, não apenas por sua grande beleza, mas também por sua história que tem início no século XIX quando, após a vitória do exército russo sobre as forças napoleónicas, o então imperador russo Alexandre I decidiu construir uma catedral em honra de seus soldados mortos.

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A catedral foi inaugurada no dia 26 de maio de 1883, com a realização da coroação do imperador Alexandre III.

Durante a vigência do comunismo a igreja foi dinamitada em 1933 pois ela era considerada um símbolo do Império Czarista. Os comunistas tiveram planos de construir no local o Palácio dos Sovietes.

Catedral Cristo Salvador sendo dinamitada em 1933, por ordem do Partido Comunista.
Catedral Cristo Salvador sendo dinamitada em 1933, por ordem do Partido Comunista.

Durante todo o regime soviético qualquer religião foi proibida no país, as igrejas tornaram-se museus, algumas foram transformadas em depósitos sofrendo muito com a ação da umidade e da falta de conservação, a Catedral de Cristo Salvador foi implodida e nos anos 90, após a queda da URSS, o Patriarcado de Moscou (padres da Igreja Ortodoxa Russa), liderou um movimento para reconstrução da catedral. Após muita luta do Patriarcado, com apoio da sociedade, o governo pós comunismo apoiou a ideia. A catedral foi reinaugurada em 2000, idêntica à catedral original.

O Convento de Novodevichy também conhecido como Mosteiro Bogoroditse-Smolensky (em russo: Новоде́вичий монасты́рь, Богоро́дице-Смоле́нский монасты́рь), é provavelmente o mais famoso mosteiro de Moscou. O mosteiro foi construído no estilo Barroco Russo e permanece intacto desde o Século XVII. Em 2004 foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO.

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O Mosteiro fica localizado à beira de um pequeno lago, construído pelo homem, que inspirou Tchaikovsky na sua composição “Lago dos Cisnes”. o lago foi construído com o propósito de refletir as cinco cúpulas dedicada a Nossa Senhora de Smolensk  e a torre do sino. Lugar maravilhoso, que transmite uma paz realmente inspiradora.

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Convento de Novodevichy.

O Museu da Grande Guerra Patriótica

O povo Russo é um povo muito sofrido, com história muito pesada de sofrimento, com algumas vitórias e glórias, que é claro, são lembradas e relembradas através dos museus,  monumentos, igrejas e palácios. Umas destas vitórias, é celebrada no Museu da Grande Guerra Patriótica, como é chamada a Segunda Guerra Mundial na Rússia.

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Sala das lágrimas.
Sala das lágrimas. Cada corrente representa a perda de 10 vidas. São milhares de correntes.

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É um museu bastante interessante, que merece ser visitado, pois só assim podemos ter ideia de quão patriota  é o povo. Este Museu, que fica localizado no parque Pobedy, conta como a Rússia venceu e expulsou a Alemanha Nazista de Hitler, que  havia invadido o território Soviético e sitiado diversas cidades, a vitória da batalha de Stalingrado em território invadido foi  decisiva para a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial.

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A exposição é toda feita e 2D, com  detalhes como sonorização em algumas salas,exposições e  memobilia.

Ao final, podemos ver o que chamou-se de A Batalha de Berlim, de forma muito realista como ficou uma rua de Berlim, após ter sido atacada por um bombardeio Russo.

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A Batalha de Berlim foi a ultima batalha ocorrida em cenário Europeu durante a Segunda Guerra Mundial.

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A batalha durou de abril a maio de 1945, nos últimos dias da Batalha Hitler cometeu suicídio.

Estátua para Pedro o Grande : Um monumento controverso bem bacana, na minha opinião. Uns acham  horrível e uma vergonha para a cidade. Outros que é muito grande ou que deveria estar em outro lugar. Dizem que a estátua, foi feita por um artista Russo, que desejava presentear os Estados Unidos  com uma homenagem à Cristóvão Colombo, entretanto, o presente foi negado por diversas cidades americanas, então trocaram a cabeça de Colombo pela  do Czar Russo Pedro e incorporada  a paisagem de Moscou, eu particularmente achei lindíssima..

O monumento controvérso na paisagem de Moscou.
O monumento controverso na paisagem de Moscou.

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A Rússia e as Pessoas,

Ao contrário do que li em diversos blogs e comentários na Internet, que descreviam os russos como um povo frio, antipático e que não enxerga o turista com bons olhos, encontrei um povo acolhedor, respeitoso e educado.

Alguns pontos me chamaram a atenção como por exemplo a veneração incondicional ao presidente Vladimir Puttin, ele é quase um pop star, tem camisetas, ímãs de geladeira, calendários com fotos do líder, que para o mundo ocidental  é bastante controverso, mas os russo crêem e apoiam o governo dele de uma forma que nunca tinha visto antes.

A falta do inglês dificulta um pouco as coisas para o turista, passei então a fazer ideia do quanto os turistas devem sofrer aqui no Brasil, onde o inglês também é tão pouco falado pelas pessoas que não estão diretamente ligadas ao turismo, imaginem um turista qualquer querendo alugar um carro no aeroporto em São Paulo, com a ideia de  apreciar as belas paisagens do sul de Minas Gerais, por exemplo…quanta frustração rsrs. Assim eu me sentia diariamente.

Nenhum Russo gosta ou jamais gostou do comunismo, nenhuma das pessoas com quem conversei, que não foram poucas, têm saudades daquela época, reconhecem alguns legados deixados pelos  Camaradas Bolchevics, como o sistema de prevenção de doenças, por exemplo, mas não conseguem esquecer das barbares de Stalin, que matou mais gente que Hitler durante toda Segunda Guerra Mundial,  nem dos comunistas que  deleitavam-se comendo chocolates suíços e davam casas de campo para suas amantes, enquanto em cada apartamento cerca 20 famílias dividiam apenas 1 banheiro nas chamadas “comunias”. Nossa guia Helena nos disse: “Quem acha que gosta do comunismo é porque nunca viveu em um pais comunista”.

Outro ponto que me chamou atenção na Rússia, (talvez por atendimento ser  minha profissão),  foi o atendimento no comércio e lojas em geral, a falta de vontade em atender o cliente, a falta de interesse em vender, muito provavelmente uma herança do comunismo, quando tudo pertencia ao Estado e não fazia muita diferença, se o cliente era ou não bem atendido, se ele iria ou não voltar. A sensação é de que estamos o tempo todo  na Caixa Econômica Federal, ou até na extinta (Graças a Deus) Nossa Caixa Nosso Banco, com numero excessivo de funcionários, onde a grande maioria, têm pouquíssima vontade de sorrir para agradar o cliente. Acredito que levará um tempo até que a frase capitalista, por aqui tão batida:Atender bem para atender sempre”, torne-se batida por lá também.

Moscou é uma cidade muito segura, não nos sentimos ameaçados em momento algum, os detectores de metal estão por toda a parte, dentro dos Shoppings, centros comerciais, hotéis e prédios do governo. Lembre-se  que se trata  de uma cidade grande e que atenção é sempre importante, para evitar surpresas desagradáveis.

A Vodca é de fato a bebida nacional russa, no país consomem-se uma média 18 litros de Vodca por pessoa por ano. Não se mistura a vodca com limão ou energético, ela deve ser bebida pura, gelada e  não congelada. As pessoas bebem vodca junto com a refeição, assim como bebemos vinho, em um restaurante é comum pedir uma garrafa de vodca, para ser apreciada durante um jantar em família, (eu tentei, mas na segunda dose desisti rsrs).

Tenho muito mais para contar sobre a Rússia, em um próximo post falaremos mais, agora sobre San Petersburgo talvez.

Um abraço e até semana que vem.

 

 

 

 

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